Em sua célebre análise de O homem de areia, conto fantástico de Hoffmann, Freud mobiliza um conceito fundamental para pensarmos a dialética entre civilização e barbárie, normal e patológico, eu e outro, o local e o estrangeiro: “da idéia de ‘familiar’, ‘pertencente à casa’ (heimlich), desenvolve-se a idéia de algo afastado dos olhos de estranhos, algo escondido, secreto. (...) heimlich é uma palavra cujo significado se desenvolve na direção da ambivalência, até que finalmente coincide com o seu oposto, unheimlich. O estranho (unheimlich) é, de um modo ou de outro, uma subespécie do familiar (heimlich).”
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19 abril 2016
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